Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

A crise dos valores morais

...mais um texto da minha autoria, escrito mais um avez em período fértil de ideias e...tempo.

Fiquem bem

Na actualidade, e cada vez mais, podemos dizer que vivemos numa grande aldeia, a chamada “aldeia global”, onde podemos estar informados de tudo o que se passa à nossa volta, em qualquer país ou região. O espectacular desenvolvimento das telecomunicações (Internet, videoconferência, telefax, etc.) reduz as distâncias entre os países, abre fronteiras, derruba barreiras. A informação espalha-se por todo o lado, onde hajam os tais meios de comunicação. A própria televisão, é um dos meios de difusão mais generalizado e eficaz.

            Quando falamos em valores morais, devemos lembrar- nos de que a televisão, a rádio, a Internet, difundem constantemente opiniões, conceitos, ideias, valores, de forma directa e indirecta. Chegam a todos os cantos de um país e têm tendência a generalizar,  ou padronizar valores, ou estilos de vida, uniformizando os mesmos. Um exemplo: é cada vez mais difícil preservar costumes, tradições rurais, quando diariamente   a televisão lhes transmite valores, estilos de vida, urbanos.

            Como sabemos, a economia move o  mundo. No caso da televisão, a mesma precisa de publicidade para se sustentar. Esta publicidade, com a ajuda de estudos psicológicos, consegue penetrar nos meandros do nosso, ainda um pouco desconhecido e misterioso subconsciente, levando-nos a comprar até o mais supérfluo, porque nos foi alimentada uma fantasia de momento. Diariamente somos bombardeado por publicidade e mais publicidade. Os próprios programas de televisão, e porque têm de sobreviver com as guerras de audiências, tornaram-se cada vez mais bárbaros, violentos, impróprios. Que valores  é que são então veiculados?

            O mais importante nesta questão é o de que não há um verdadeiro controlo sobre o que é veiculado pelos respectivos agentes de comunicação social. Predomina no globo uma economia aberta de mercado. As várias multinacionais procuram colocar os seus produtos em todos os cantos do planeta, sendo os meios de comunicação um importante veículo publicitário. Daí a filosofia do oportunismo, do “salve-se quem puder”, da selvajaria capitalista.  A filosofia do lucro, da importância dos valores materiais em desfavor dos valores mais elevados, mais nobres, está relacionada com a perda de referências que caracteriza a nossa sociedade. Tal como a publicidade  que tenta explorar as fraquezas humanas, não há controlo sobre quem detém os meios de  comunicação, ou sobre o que é veiculado, uma vez que o capital, o dinheiro, sobrepõem-se aos valores humanos, muitas das vezes.

            O ritmo do nosso dia – a - dia, evidenciado na expressão norte-americana “time is money”, não permite reflectir nos valores humanos. As cidades, por exemplo, são locais onde muitas pessoas se cruzam mas que raramente se encontram. Tudo funciona  de forma muito maquinal, muito impessoal, onde cada peça faz parte de uma só engrenagem, da mesma   sociedade materialista, consumista. Tudo pode ser vendido, desde que a um preço. E o principal problema é que esta filosofia do oportunismo e os valores materialistas, se generalizaram, globalizaram, por toda a sociedade ocidental, que são os que detêm os meios de produção e as telecomunicações mais avançadas.

            Nesta sociedade de ideais materialistas, as pessoas passam a ser objectos. Vê-se com indiferença a dor do próximo, a fome no mundo, porque nos habituamos a ver, com alguma banalidade, um assassinato, crianças a morrer de fome, pessoas carbonizadas ou esvaziadas em sangue. E isto tudo nos noticiários, diariamente, nos filmes norte-americanos, no próprio dia – dia.

            A perda de identidade das várias culturas numa só é um dos principais problemas desta globalização que se tem vivido. Se os valores veiculados não forem os melhores, corremos o risco de vermos generalizados comportamentos sem qualquer referência, inqualificáveis.

            A violência torna-se então  banal, a corrupção generalizada. A sicilianização ocidental tem contribuído para uma degradação de valores e o que é perigoso é que esta pode estar orientada segundo um modelo, um molde, de onde vão saindo “clones” com muito mau carácter.

Antes de mais convém referir que  a chamada “aldeia global” não diz respeito a todos os países mas apenas aqueles que detêm os meios de comunicação mais avançados, de forma generalizada. O que é que isto quer dizer? Aqueles meios de comunicação, tais como a  Internet, ainda não se difundiram em grande escala pelos países ditos Em desenvolvimento. As diferenças de acesso  aos meios entre os países acentua ainda mais as diferenças entre eles.

            Com meios de transporte mais avançados, telecomunicações mais poderosas, uma tecnologia mais desenvolvida, os  países desenvolvidos têm tirado partido desta globalização para a venda de produtos, para a influência política, para a influência cultural.

            Actualmente tudo está interrelacionado, em interdependência mútua. Daí falarmos em globalização. Para além da troca de informações, acentuaram-se as relações comerciais, os movimentos de pessoas e mercadorias. O mundo está em constante inter-relação  entre as várias partes, funcionando como um todo.

            Naturalmente que alguém fica sempre a ganhar com esta generalização, sobretudo a nível comercial. No final da segunda guerra mundial, por exemplo, a televisão foi considerada, para os EUA, um objecto de estado, pela sua importância na propaganda política norte americana. Os próprios filmes norte americanos, podem ser uma arma ao serviço dos interesses dos mesmos. E a publicidade que circula pelos meios de comunicação? E a Coca – cola que se generalizou de um forma tão espectacular por todo o mundo? E os Teenagers que são influenciados por tudo o que vêm na televisão e filmes?

            A globalização é um desafio para a nossa sociedade. É o desafio de sabermos colocar uns valores à frente de outros menos nobres. É o desafio de termos consciência da sociedade que estamos a construir ou deixarmos construir. É o desafio de conseguirmos  educar os nossos filhos, sem os deixarmos demasiado dependentes ou influenciados por tudo o que lhes é impingido pelos meios de comunicação. É o desafio de veicularmos, de forma gratuita, valores humanos, como o amor e respeito pelo próximo, a fraternidade, a honestidade, a lealdade. É também o desafio de sabermos preservar  as várias culturas, as tradições, usos e costumes, de sabermos viver e respeitar as diferenças culturais, mesmo entre países, não tentando impingir uns valores, ou formas de cultura a outros. No fundo, preservar a diversidade na unidade global
publicado por cerqueira-paulo às 20:59
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4 comentários:
De Mateus a 1 de Maio de 2013 às 17:37
Vou completamente de acordo ao dizer que não há um verdadeiro controlo pelo o que é veiculado pelos agentes de comunicação social
De Vanessa a 23 de Agosto de 2013 às 03:56
Simplesmente perfeito, disse tudo!!
De Vanessa a 23 de Agosto de 2013 às 03:56
Simplesmente perfeito, disse tudo!!
De cerqueira-paulo a 31 de Agosto de 2013 às 10:11
Obrigado

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