Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

A Caminho de Marte

                                                          

 

Embora o “Planeta Vermelho” seja ainda para muitos de nós  pouco mais do que um vislumbre no céu, um pontinho que quase nunca  é visível a olho nu, já há muito tempo que é objecto de lendas, histórias fantásticas com marcianos verdes   e uma civilização muito avançada  cujo planeta seria muito parecido com o nosso.

Inicialmente Marte parecia ter  um aspecto idêntico ao do planeta Terra. Mas desde as sondas Viking que tomamos conhecimento de um planeta frio, desértico, moldado de crateras. Parecido com a Lua. Mas à medida que o nosso conhecimento sobre o planeta avança, mais dúvidas surgem. Haverá  vida em Marte?

As últimas fotografias do planeta mostram uma superfície com alguns vestígios da existência temporária de água em estado líquido que correria à superfície, em algum momento. Água  congelada do subsolo teria aquecido o suficiente para passar por momentos ao estado líquido  inundando  a superfície, moldando canais, leitos, transformados agora em fósseis. Sugere-se que a baixa pressão atmosférica e  a elevada amplitude térmica não possibilite a existência  de água líquida à superfície  por um período de tempo longo. Mas a hipótese de existir água em estado sólido retida no solo marcianoera uma hipótese muito provável, agora confirmada,  daí  a probabilidade de existência de vida em Marte.

            Sabemos que  o próximo passo a ser dado, após  o envio das sondas, será o de uma missão tripulada com o objectivo de estabelecer uma base permanente no planeta.  Mas, como suportar uma viagem tão longa numa nave? O efeito da gravidade a longo prazo é terrível para o corpo humano. Os ossos, por exemplo, sofreriam uma descalcificação, os músculos entorpeceriam. Mas já ficou provado que  o exercício físico a bordo da nave reduziria estes riscos, por exemplo.

Numa nave espacial, tudo teria que ser reciclável. Até a própria urina (e já há aparelhos a fazer isso).

            Quem já ouviu falar do projecto Biosfera II, tirou algumas ilações interessantes. Este projecto procurou simular, num sistema completamente fechado, o ecossistema terrestre. Assim, alguns cientistas aceitaram ficar fechados durante dois anos num ambiente artificial criado, com plantas, solo, um riacho, luz artificial necessária à fotossíntese. Algumas plantas forneceriam também comida necessária, cultivando-as, tratando-as cuidadosamente (aqui, o  alastramento de um vírus,  teria consequências devastadoras) .  Tudo parecia em equilíbrio, com todos os elementos necessários, simulando os elementos existentes no nosso planeta azul. Mas a partir de uma certa altura, algo inesperado aconteceu. O O2 começou a falhar. Porque seria? O solo começou a “respirar” mais O2 (devido às algas) e o cimento do recinto absorveu mais CO2 do que o suposto. Simples, não? Não foi suposto pensar que existem estes seres desprezíveis,  ou serão afinal importantes para manter um certo equilíbrio biológico?

 O projecto fracassou.    Mas  o mesmo serviu para dar mais valor ao espectacular equilíbrio entre todos os elementos do ecossistema terrestre,  e do seu incrível valor, muitas vezes subvalorizado.

            Ainda assim,  as últimas sondas enviadas recentemente ao Planeta Marte provaram a existência de água, pelo menos no Pólo Sul do planeta, em estado sólido. E isto significa que  é muitíssimo provável que exista vida em Marte (!) e que é muito mais plausível  agora o estabelecimento lá de uma  base permanente.

            Não querendo visionar o futuro, parece-me óbvio que iremos gradualmente reduzir a distância (relativa) que nos separa daquele planeta. Após o estabelecimento de uma base permanente e autosufuciente, procurar-se-à  criar uma atmosfera artificial através de um aquecimento do planeta (por exemplo com painés solares potentíssimos apontados para a atmosfera do planeta). As tempestades provocadas iriam aumentar o volume de CO2 na atmosfera, criando um efeito de estufa que iria gradualmente aquecer o planeta. Com isto o gelo iria derreter e correr à superfície formando rios. A vida espontaneamente iria brotar, organismos simples iriam libertando oxigénio para a atmosfera ao mesmo tempo que a vida nos rios e mares desabrochava (….). Mas, claro, num espaço de milhares de anos. Numa primeira fase, era bom se se verificasse um ligeiro aquecimento do planeta e  a formação de uma  atmosfera mais espessa. Contudo, a fraca gravidade  e reduzida pressão atmosférica serão sempre obstáculo duros de ultrapassar.

            Esta ideia de conquista,  de descoberta de  vida extraterrestre, está nos nossos genes. Por sua vez a perfeita harmonia do ecossistema terrestre será muito difícil de criar  e imitar.  O planeta Terra já é tão valioso e muitas vezes menosprezado que chega a ser até caricato todo um esforço de descoberta de água noutro planeta. Mas é um processo irreversível que também desperta a minha curiosidade.

Paulo Cerqueira

           

publicado por cerqueira-paulo às 19:36
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2 comentários:
De ideias a 15 de Junho de 2007 às 09:27
a vontade de descobrir novos mundos pode ser curiosidade, espirito científico, encontrar novos elementos, encontrar vida... e tudo o que se possa imaginar. mas há uma coisa que é inevitável: a terra um dia irá deixar de ser suficiente. demasiado poluída, recursos escassos... e irá invitavelmente acabar! não há alternativa a não ser colonizar o espaço. marte está na rota pelas características conhecidas. julgo que antes disso será a lua. mais perto, é mais fácil ir até lá. a lua neste momento deve ser a conquista mais importante. poderá até ser o nosso fornecedor de energia no futuro, mudando completamente as questões hoje levantadas pelo "ouro negro". de qualquer forma a humanidade vai ter de se estender no espaço. o ser humano é como uma doença: está a destruir a célula terra, para depois se desiminar pelo corpo universo.
De cerqueira-paulo a 15 de Junho de 2007 às 14:34

Já se está a pensar na colonização da lua, havendo gelo nos polos, como se pensa, que será utilizado como fonte de energia (hidrogénio...). De facto, ao ritmo que estamos a poluir o planeta, a destruir florestas, a consumir recursos, o "planeta azul" tem os dias contados, concordo.
Obrigado pelo comentário.

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