Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

Amor de Água

A A  tendência  que o ser humano tem  em se dirigir para a água começa desde muito cedo,    na nossa infância. Para além da sua importância fundamental para a vida humana, causa fascínio e mistério.  A existência de água (lagos, rios, lagoas, Oceano) foi desde muito cedo, um dos principais factores que influenciou a concentração humana, sendo por isso natural que o berço das principais civilizações estejam situadas junto a grandes rios.

 É de importância fundamental para a vida e para as actividades humanas: cobre 70% da superfície  do “Planeta Azul”, aparecendo como água “parada” (oceanos e lagos) ou corrente (rios, riachos...), chuva ou vapor;  constitui até 60-70% do corpo humano, ou seja, cerca de 40 litros, dos quais, 25% estão  no interior das células e 15% fora;  não é possível uma pessoa sobreviver mais do que 5 ou 6 dias sem água, ou de 2 a 3, em ambiente quente.

As reservas de água doce são enormes:  são superiores a um total aproximado de  1350 milhões de  Quilómetros  cúbicos, dos quais, cerca de 97% se encontram em mares salgados. Do valor restante (3%), 2 % estão retidos  em glaciares e calotes geladas, e menos de  1% constitui a água  armazenada em lagos, charcos, rios, ribeiros e lençóis  de água subterrâneos,  podendo-se concluir que apenas uma ínfima parte  das reservas estão à disposição do homem. 

No que concerne à  utilização da água, verifica-se que os consumos têm aumentado perante um aumento populacional e uma desejável melhoria da qualidade de vida. Neste contexto e em termos sectoriais, os maiores consumidores  em Portugal são o sector, o energético,  o industria e  mesmo a nível doméstico.  Contudo, se é verdade que Portugal apresenta boas condições naturais para a abundância de água, algumas regiões do país  têm alguns problemas com a escassez de água (sobretudo a região sul).

O problema referido, não constitui o único, no que  afecta à sua gestão. Ao derramar nos rios e nos lagos, resíduos provenientes  da agricultura, da indústria e das grandes cidades, o homem tem sido responsável pela contaminação de grande parte  das águas doces do planeta, incluindo as águas subterrâneas, pois as infiltrações arrastam consigo enormes quantidades de produtos químicos.

A indústria é o sector de actividade que mais polui o ambiente e a água. Esta assume uma importância  fundamental em diversos fins industriais (como dissolvente, como reagente químico, arrefecimento) e, posteriormente à sua utilização, os esgotos são lançados indiscriminadamente nos rios, ribeiros, lagoas ou albufeiras. É de  se fazer notar que, em Portugal, são ainda muito poucas  as unidades industriais que estão munidas  de um cuidado tratamento das suas águas residuais. Por outro lado, acresce que, apesar da  existência de legislação regulamentadora, as entidades fiscalizadoras são altamente permissivas com as unidades industriais.

Saliente-se ainda, que parte da poluição das águas dos rios internacionais provém da vizinha Espanha, visto que quando as águas  entram no nosso território já vêm poluídas.

Gostava de referir por fim, a problemática que envolve a construção de barragens. É certo que há muitas vantagens na sua construção, no entanto, está também revestida de desvantagens: a deslocação forçada  da população e alteração dos seus modos de vida (não tão importantes, contudo, como uma artística pintura rupestre).  A  Aldeia da luz, no Alentejo, é  o caso  de uma aldeia que fica completamente submersa.

Aproveito para exprimir a minha mágoa pelos efeitos que a Barragem do Torrão provocou ao rio Tâmega,  sobretudo em algumas áreas, onde haviam excelentes praias fluviais e onde o rio corria com vida, saúde, transbordando energia. Hoje  está doente, poluído, a água está quase parada, cheira mal. Por vezes, a falta de Oxigénio na água favorece  o desenvolvimento de Bactérias, que a torna verde (bem, talvez  o nosso escritor Teixeira de Pascoaes  ao contemplar agora o rio, tivesse um outro tipo de inspiração, de tendência com certeza, menos poética!)

Deve-se ainda salientar os   efeitos desastrosos das cheias (neste caso também estamos dependentes das descargas vindas de Espanha. Aliás,  quem não se lembra da cheia que  afectou a  cidade de Amarante   neste último Inverno?

Torna-se então fundamental a consciencialização de todos, de cada cidadão, para os problemas relacionados com a utilização da água.

A partir desta consciencialização é também necessário pôr em prática todo um  conjunto de medidas  que passam não só pelas  autoridades responsáveis, mas também por cada um de nós. As descargas de efluentes industriais devem  ser controladas, as águas  residuais devem ser alvo de um tratamento adequado, o uso de pesticidas e de outros produtos  químicos deve ser reduzido, senão  abolido, mas o seu uso doméstico também deve ser o mais racionalizado possível, pois, geralmente responsabilizamos a indústria pela  poluição das águas, quando, muitas vezes, somos os primeiros a desperdiçar  a água  com os banhos demorados, com a prolongada rega de jardim, etc.

Individualmente, devemos começar a promover a redução do consumo de água dentro das nossas próprias casas :  passando por uma tomada  de atenção às torneiras que  pingam, às mangueiras que deixam a água a correr durante horas.

A água é um recursos fundamental para o homem, podendo vir a tornar-se um bem escasso em termos de qualidade.  É um elemento fascinante e misterioso. Não tem cheiro, cor  nem sabor;  mas é com ela que é celebrado o Baptismo.

A sociedade humana continua a ser consumista,  materialista, mas a verdade é que não faz sentido  um  crescimento económico  sem ter em conta   o pulsar da vida na terra, a saúde do planeta, haver crescimento sem haver desenvolvimento sustentável, sem ter em conta  a qualidade de vida. Num futuro não muito longínquo poderá tornar-se um bem raro, escasso, podendo ser tarde de mais para voltar atrás.

Se for necessário, voltemos a ser crianças, para sentir de forma  espontânea ,  a real importância que a água tem para nós, para que esta não continue a ser tratada de forma tão inconsciente.

Água é vida!

publicado por cerqueira-paulo às 20:54
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1 comentário:
De Cöllyßry a 28 de Junho de 2007 às 21:04
Que belo texto aqui encontrei sobre a vida do nosso Ser...

Meu doce beijo e meu rastoooo

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